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Feminist Women in Philosophy
 

14/07/2004

Sent: Sunday, July 11, 2004 4:24 PM
Subject: poesia, gênero masculino no Mais!


Ao ombudsman Marcelo Beraba

Parabéns ao ombudsman por chamar a atenção para o
lamentável caráter discriminatório da política editoral da
Folha (e de outros veículos de imprensa) que privilegia
artigos escritos por homens, intelectuais homens e o ponto de
vista masculino. Parece que no mundo da Folha não existem
intelectuais mulheres ou acadêmicas relevantes, nem no Brasil
nem em outros países.
O mais acintoso, parece, é o que ocorre no caderno
Mais!: a prática proposital de só publicar poemas de homens.
A única exceção de que me lembro foi a poeta Laura Riding, e
isso provavelmente porque ela desistiu de escrever.
É uma política discriminatória acintosa e nem um pouco
disfarçada.



---
Maria Elisa Marchini Sayeg
Doutora em Filosofia da Educação
pela USP
http://cyborg.sites.uol.com.br



resposta

De: ombudsman
Para: Elisa Sayeg
Data: 12/07/2004 15:55
Assunto: Re: poesia, gênero masculino no Mais!


Obrigado por sua mensagem crítica à Folha. Tomei a liberdade
de encaminhá-la
para conhecimento e avaliação do editor do caderno Mais e
também da direção
do jornal.

Fico ao seu dispor.

Atenciosamente,

Marcelo Beraba
Ombudsman - Folha de S.Paulo
Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar
01202-900 - São Paulo - SP
Telefone: 0800 159000
Fax: (11) 3224-3895
ombudsma@uol.com.br



 Escrito por Elisa às 04h28 [envie esta mensagem]



          Eu fico decepcionada quando leio o seguinte no Axel Honneth (A luta por reconhecimento): 

          "Embora os trabalhos feministas sobre filosofia política tomem hoje feqüentemente um caminho que se cruza com os propósitos de uma teoria do reconhecimento, tive de renunciar a um envolvimento com essa discussão; isso não só teria extrapolado o quadro argumentativo proposto por mim, mas também excedido consideravelmente o estado atual de meus conhecimentos".  (p. 25, editora 34).  

          E ele cita Seyla Benhabib (a edição cita um texto em alemão, mas há tradução para o inglês, "The generalized and the concrete other", publicado em Situtating the Self, de Benhabib), e Iris Marion Young (Justice and the politics of difference).  

          O que decepciona é por que um autor tão versado, tão lido, tão erudito, não se deu ao trabalho de estudar as pensadoras, filósofas políticas, feministas, cujo trabalho ele reconhece ter afinidades com o seu.  (E aqui não estamos falando de jornalistas brasileiros semiletrados que confundem Benhabib com Donna Haraway). Pelo menos, Habermas dialoga com Benhabib, em Democracy and Difference. 

          Será, no entanto, certo pudor de Axel Honneth, temor de entrar em uma área de conhecimento, a "filosofia feminista"?  Mas não existem, a rigor, espaços estanques em filosofia, guetos filosóficos, filosofias apartadas da Filosofia.  Não é preciso ser uma mulher feminista para ler filosofia política feminista.  Será, Axel, um problema de reconhecimento?  

 



 Escrito por Elisa às 10h44 [envie esta mensagem]



a luta pelo reconhecimento

Essa dialética do senhor e do escravo é muito masculina, não é? Muito fálica, para um ser reconhecido o outro deve anular-se.  
 
Gostaria de ler uma *boa* crítica feminista sobre esse tema.
  


 Escrito por Elisa às 16h35 [envie esta mensagem]



Caligrafia

         Ainda está aqui

         Caligrafia

         Era bonito.  Era bom.  Poderia ter sido mais.    

 



 Escrito por Elisa às 01h49 [envie esta mensagem]



argumentação

          Em uma verdadeira argumentação, sempre há o risco de ser convencido pelo outro.    

 Escrito por Elisa às 02h44 [envie esta mensagem]



Há como argumentar?

http://www.olavodecarvalho.org/convidados/mnagib.htm

Alguém reclama do proselitismo de um professor de história:
 
"(...) o senhor não hesita em aplicar à complexa disciplina que leciona o modelo de narrativa das histórias infantis, onde o Mal jamais se confunde com o Bem."
"Assim, na história que o senhor ensina, a Idade Média é “do mal” e o Iluminismo é “do bem”; os capitalistas são “do mal” e os socialistas são “do bem”; os conservadores são “do mal” e os revolucionários são “do bem”; os Estados Unidos são “do mal”, a ONU e Cuba são “do bem”, e por aí vai." 
 
 
He's got a point here. 
 
Mas...
 
no final acaba por também utilizar o maniqueísmo entre "Bem"  e "Mal", onde o "Bem" equivale a São Francisco (impossível discordar) e o "Mal" a Che Guevara (mas neste caso está reduzindo a complexidade dessa figura histórica a um rótulo maniqueísta). 
 
 
 


 Escrito por Elisa às 13h15 [envie esta mensagem]



Deleuze (na Folha de S. Paulo)

P COMO PROFESSOR

A relação que se pode ter com os alunos é ensiná-los a serem felizes com sua solidão. É ensiná-los a se reconciliarem com sua solidão... Eu não quis ensinar conceitos que se tornem escola, mas que sejam conceitos correntes, não quero dizer comuns, mas sim manipuláveis de várias formas... A universidade deve ser hoje um lugar de pesquisa. Não é papel das universidades se adaptar ao mercado de trabalho -esse é o trabalho das escolas técnicas.



 Escrito por Elisa às 03h08 [envie esta mensagem]



            Quem não percebe que o Caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, publica apenas poemas de homens? Por que essa discriminação sistemática?  A única mulher, de que me lembro, que eles publicaram lá, foi Laura Riding, e isso provavelmente porque ela desistiu de escrever ...  Ótima escritora, mas não é possível que seja a única poeta digna de menção nesse jornal quase intelectual ... a Falha de S. Paulo.



 Escrito por Elisa às 23h59 [envie esta mensagem]



         Hoje assisti, com a Valéria, um curso do Leon sobre preconceito e ideologia. Muito interessante e muito bom. Anoto aqui, para lembrar, o tópico do ego fraco, a ver mais em Adorno, e a pesquisa que vincula sociologia e psicanálise.  



 Escrito por Elisa às 20h12 [envie esta mensagem]



        Para a psicanálise, há apenas um universal, o masculino? Não há um universal feminino porque o feminino não se coloca como o Outro do masculino?  Não há uma razão não fálica? 

       

         Um supereu feminino é o responsável pelo imperativo do gozo? Ou há nisso certo exagero? 

         Roudinesco iria discordar disso.  

         Mas essas foram as considerações finais na aula do Vladimir, ontem. 

 



 Escrito por Elisa às 07h45 [envie esta mensagem]



Artigo na Revista Tesseract

           Incluí novo artigo na Revista Tesseract:   

           Discussão sobre as Críticas à Política Identitária  

           por Elisa Sayeg  

           A Revista Tesseract pode ser acessada no seguinte link: 

           http://tesseract.sites.uol.com.br  

         



 Escrito por Elisa às 20h18 [] [envie esta mensagem]



    Estou lendo As fontes do Self, de Charles Taylor.  Ele estuda a formação da identidade moderna em relação com a moralidade. A moralidade deve ser entendida como amar o que é bom, ter lealdade ao que é bom, como ensina Iris Murdoch.  É diferente de saber apenas como agir corretamente, tem relação com viver uma vida boa, saber o que é bom.  A filosofia moral contemporânea decepciona porque focaliza o que é bom fazer, ou seja, dá lugar a uma instrumentalização, como na sociobiologia. Já a filosofia moral defendida por Taylor/Murdoch e outros, focaliza no que é bom ser, a vida digna de ser vivida. Concebe o bem como objeto de nosso amor ou lealdade. 

      A moral está vinculada a uma ontologia .

 



 Escrito por Elisa às 01h54 [] [envie esta mensagem]